Exploração de recursos naturais: “sofremos de alta taxa de impaciência”

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O primeiro-ministro diz que os moçambicanos são muito impacientes em relação aos resultados da exploração dos recursos naturais e, por isso, acusam o Governo de estar a “comer sozinho”. Maleiane falava, esta quarta-feira, no lançamento do livro “Indústria Extractiva em África”, do Professor Doutor António Niquice. No evento, também interveio Joaquim Chissano, que disse que é preciso que invista no homem para melhor gerir os recursos. “Indústria Extractiva em África: Bênção ou Maldição?” É a partir desta dicotomia que António Niquice conduziu a sua pesquisa, lançada em livro esta quarta-feira, em Maputo.Num evento bastante concorrido, houve vários intervenientes, cada um a tentar explicar como evitar que os recursos de que Moçambique é detentor sejam uma maldição. Maleiane sabe a razão que leva a que se entenda que estes recursos sejam, actualmente, uma maldição.Para o antigo ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, o problema é que “quase todos nós sofremos do que eu chamo elevada taxa de impaciência” para esperar até que a exploração de recursos naturais comece a dar frutos. Ainda “estão a fazer as pesquisas e diz-se que, provavelmente, nós vamos ter” gás “e todos nós começamos a dizer que o Governo está a comer sozinho e ainda estão a fazer pesquisa. E começamos a lutar, esquecendo que aquele recurso está lá há muitos anos e não havia confusão”.Talvez não houvesse essa confusão, porque ninguém sabia como explorar os recursos e, para Joaquim Chissano, que escreveu o prefácio da obra, o país não tem como desfrutar dos recursos enquanto os seus cidadãos não forem capacitados. Para isso, recuou no tempo para recordar-se do que ele disse a alguns estudantes e docentes há alguns anos, mas que continua válido.Era sobre as razões que fazem com que, mesmo tendo tantos recursos, o país não prospera. A resposta, na altura, foi: “É que vocês ainda estão aí a buscar conhecimento. Aqueles que já o buscaram não têm conhecimento suficiente para saber gerir os nossos recursos”, disse Joaquim Chissano.Na verdade, para o antigo estadista moçambicano, o maior problema reside no facto de que os moçambicanos não têm competência para prospectar os recursos, identificar a sua utilidade e o seu valor; em tudo isso o país depende dos outros.Essas são reflexões espevitadas pelo livro de António Niquice, mas não são necessariamente o reflexo do conteúdo. Quem devia trazer o conteúdo do livro é o académico João Barros, que o fez e ainda disse que não é um livro de leitura única, é de leitura constante. Na obra, “António Niquice sonha com a justiça e igualdade, no combate à ignorância como fonte do mal, problemas que esta bênção pode resolver”.Já o autor, o Professor Doutor António Niquice, apresentou também o seu pensamento sobre o que deve ser feito para que os recursos naturais não sejam transformados em maldição.“O processo de industrialização e diversificação da Economia pode ser uma saída airosa para a resolução dos problemas que enfermam a nossa sociedade, gerando oportunidades para a classe empresarial, para as pequenas e médias empresas, incluindo as comunidades, que possam participar em toda a cadeia de valor, que sejam geradas receitas fiscais que possam induzir o processo de reversão da nossa balança de pagamentos, que é deficitária, mas também gerar recursos que satisfaçam a demanda de meios para a despesa pública”, disse o autor da obra.Isso foi um excerto, até porque a obra é vasta, com mais de 400 páginas. É uma obra de um académico com uma carreira longa na política como deputado da Assembleia da República e que, por muito tempo, presidiu a Comissão de Plano E Orçamento, que lida com questões económicas no Parlamento moçambicano. António Niquice também é docente universitário e pesquisador do Centro de Estudos

Fonte:O País

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